O levantamento divulgado nesta quarta-feira, 15 de abril de 2026, pelo instituto Quaest introduz uma variável de relevância histórica no panorama eleitoral brasileiro: pela primeira vez desde o início das medições regulares para a corrida presidencial de outubro, o senador Flávio Bolsonaro supera numericamente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva num cenário hipotético de segundo turno, com 42% das intenções de voto contra 40% do presidente, dentro da margem de erro de 2,2 pontos percentuais — o que configura, tecnicamente, um empate, mas que politicamente significa uma inflexão de trajetória cujas implicações os estrategistas de ambos os campos analisam com toda a atenção que o momento requer. A pesquisa, realizada presencialmente com 2.004 brasileiros em todo o território nacional, mostra Flávio em curva ascendente: eram 38% em fevereiro, 41% em março e agora 42%; Lula, em sentido inverso, saiu de 43% em fevereiro para 41% em março e 40% agora.
Os números da Quaest coexistem, contudo, com resultados distintos em outros institutos, o que é sintomático da volatilidade peculiar deste ciclo eleitoral. A pesquisa CNT/MDA, divulgada na segunda-feira pelo Poder360, ainda posiciona Lula à frente em todos os cenários de primeiro e segundo turno, com 39,2% contra 30,2% de Flávio no primeiro turno e vantagem no segundo. Já a pesquisa Futura/Apex, divulgada na terça-feira, projeta vitória de Flávio no segundo turno por 48% a 42,6%. Essa divergência entre os institutos não é anomalia: reflete a dificuldade estrutural de capturar com precisão as intenções de voto numa sociedade de elevada volatilidade política, em que o eleitor médio manifesta desconfiança simultânea em relação aos dois candidatos que, segundo os próprios levantamentos, lideram a corrida. O que se pode afirmar com alguma segurança é que a eleição de outubro será a mais competitiva desde a redemocratização, e que qualquer dos dois campos que subestimar o adversário pagará um preço eleitoral proporcional ao grau de descuido.
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Marcelo Henrique de Carvalho, editor-chefe
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